vejo-te como estrela
que viaja no espaço
e na noite dos tempos
será atracção
saber tua existência
conhecer tua luz
receber confidências
beber tua música
desenhar teu rosto
não nos tocámos
mas tua força
alterou meu rumo
gravito agora à tua volta
és estrela nova
desconhecida
e no firmamento
sigo-te
quem sabe um dia
eu possa entrar
em rota de colisão
1999 - carlos peres feio
espalhados pela rota
do nosso riscar de superfícies
foram ficando estilhaços vários
muitos
que numa função integrada
levada ao máximo
reunia a minha vida toda.
e daí?
dessa visão não irá resultar nada
senão com tristeza sentir
que para mais há uma sensibilidade crescente
e para menos não se atinge o êxtase.
programada a próxima explosão,
venham mais estilhaços.
carlos peres feio
a infelicidade é
quando o Cole canta
tu não estares à volta
e nunca termos
o par certo
na certa noite
deixa lá
também não estou
certo
de que o mundo assim
seria maravilhoso
já não é mau
ter esta infelicidade
só esta
2001 - carlos peres feio
gosto de pensar que a arte plástica
é flexível
e estou disposto a aprender
o limite das formas.
dou como arrumado
ter feito à mão livre
uma elipse
e nunca
nunca
a ter terminado.
2001 - carlos peres feio
a basílica da estrela
as duas basílicas da estrela
a que de longe aparece como uma escultura gigante
e a outra
a de perto
onde as três dimensões vencem
e nos mostram ao fundo
o iluminado corpo grosso
contra o céu
e na frente
duas torres
uma sem luz, ali estão.
mas talvez seja outra ainda
a que tenho dentro da cabeça
a que imprimirei
quando me tornar fabricante de postais ilustrados
será nessa profissão
que a reforma me encontrará
artesão de imagens muito vistas
artífice de tarefas sem prazo de entrega
na espera de que os dias tenham cinquenta horas
e que o eléctrico, o vinte e oito
me leve breve
ao encontro comigo mesmo.
2000 - carlos peres feio