ver terra vermelha entre verdes vários
é tão necessário à nossa paleta de cores
todos os dias acrescentada de cinzentos.
por isso fujo das auto-estradas da informação
e me refugio nos vales da ignorância
procurando a essência do profundo.
e evito como um contorcionista
o complicado sem pássaros e o contacto
com os corpos e almas em anestesia.
já não peço no meu mundo imaginado
a presença de pessoas
que figuram noutros cenários
onde o apreço é só o de ocuparem espaços.
a mim basta-me a cor da música
o fluido deste mergulho
e o pensamento fixo
num ser que me compreenda.
2001 - carlos peres feio

um copo de vinho
é uma coisa simples
os sonhos emanados
da destilaria que somos
são números difíceis
os sons incríveis
nas faixas de uma vida
criam grande eco na muralha
que fomos construindo
e que é o nosso palco
o copo vazio com a alma esgotada
aponta a saída sem glória
tenta salvar a peça
bebendo outra dose
retira uma pedra ao muro
marca nova actuação.
2001- carlos peres feio

volto ao que chamo um lugar de criação
onde sobreiros pássaros e calma
me acolhem.
a casa, o espelho de água e os cães
também são indispensáveis.
esta escrita é só um esboço
para me sentir vivo atras da câmara.
2002 - carlos peres feio

ó moon!
ó lua!
porque apareces grande? às vezes
sem tiras, sem riscas, ilesa.
porque me impressionas?
tens muita certeza,
apareces branca, mostras-te toda.
ó moon!
tu ficas feliz por me saberes sempre
encantado.
dás-te, talvez, num alívio forçado,
de quem tem de ser amado.
ó lua!
acreditas que quando voltares,
branca, forte,
passarão por debaixo de ti
duas mulheres, lindas
e sem te olhar?
é um sem olhar de inveja,
mas eu ainda te chamarei:
lua! lua! sou eu!
sou teu.
1988 - carlos peres feio