
Chagall
oh, meu amor
estamos a deixar passar
um tempo precioso
sem nos termos
vai ser
nosso choro
como os filmes que vemos:
preto e branco da memória
no colorido
dos dias
talvez nos sirvam,
sem motivo
2004 - carlos peres feio
Miguel Costa
porque a fazemos?
para que a alma continue colada ao peito
evitando a surpresa de um dia
não estar lá
dela vêm as descobertas
nutritivas para a floresta da imaginação
geradoras das voltagens que nos ligam
às redes que levam longe
nossos passos
sei agora
o que é o salto da gata
de olhos verdes
feitiço da serra iluminada
por candeeiros
tudo será diverso
na doce asfixia
experiência única
sinto-me preparado
para uma nova era
2001 - carlos peres feio
publico em 2004, três anos depois, como homenagem às mãos amigas que me obrigam a continuar a escrever versos

Noah Grey
por ser madrugada
em descanso revestida
surgem os desejos
dum destino qualquer
esboçados não cumpridos
mortos ao nascer
2004 - carlos peres feio