(poema a escrever hoje, ou nunca)
não dei por ele,
talvez brisa no
pescoço
e na orelha,
o primeiro arrepio de prazer
talvez tenha sido isso
leve, começo a senti-lo
refresca-me
mas cresce,
torna-se forte
antevejo um tornado,
com todos os sentimentos
no centro
a elevar-se em
espiral,
para fora de mim e
do mundo dos ventos
amor-vento
já uma tempestade
abre-me os olhos,
amor-água
escorre-me pelo rosto
pelo corpo
as cordas das velas do meu passado
esticam rangem vibram,
as cruzes nelas bordadas
partem com o vento
e a minha alma fica
branca
pura
disponível
para receber as tuas marcas,
só as tuas!
carlos peres feio

agora,
porque nem sempre foi
assim,
a falta
o que não se vê
os odores são os mesmos,
bem-haja o reconhecimento,
apanho no ar
pedaços de uma memória
estilhaçada
a viagem,
última consequência,
pode ser
um bater de porta
o entender
do adeus
c peres feio Maio de 2005

onde estás
para te dizer
das estúpidas dores que sinto
das brilhantes ideias que tenho
e tudo o mais
tudo o que cabe num dia vazio
e acaba no sonho
ter-te tido
uma delícia
uma ternura
junto à espuma do mar
revolto com a tua ausência
c peres feio 3 de Maio de 2005