alimentar o sonho
sem o contaminar
com reflexos que nos ceguem
acreditar ainda ser possível
uma total entrega
às difíceis palavras
fazê-las chegar
ao bom porto
de uma alma nobre
assistir entre a multidão
ao seu voltar da cabeça
ter os olhos nos olhos
a minha missão
impossível
carcavelos – junho 2006 – carlos peres feio
porque estou a limpar este blog para que fiquem só versos, lembro a existência de
http://aminhaverdadeiranatureza.blogspot.com/
e
http://peresfeio.multiply.com/
para outras formas de expressão.
abraços.
mexe comigo imaginar-te
e de mexer não paro.
mexe comigo receber teus escritos
imaginando tuas ideias fixas
mexe comigo teu provocar respostas
mexe comigo tua oculta imagem
onde te vejo para lá dos espelhos
também mexe comigo
tua poesia – tua escrita
mexe comigo o desenho dos teus cabelos
nas tuas fotos
mexe comigo o meu desejo de ti
acrescentado ao que de ti emana
conhecer-te foi meu Destino.
cpfeio 2006
durante uma viagem
concreta com paisagens
perdi a visão das coisas
uma luz fortíssima
tornou tudo branco
preparando o mergulho
no profundo negro
pensei: ora – é só mais uma
inconsciência
o que se desenhou
vindo do negro
nada tinha a ver!
fragmentos de passado
colados
sobe o pano verde
da esperança
formaram
um quadro irreal
com um pé no chão
outro no sonho
ainda identifiquei
a lua
fiz um grande esforço
para abrir os olhos cansados
e focar o pensamento
era o fim da viagem
sem qualquer gravura
restava o verde.
carlos peres feio 2004/06
é preciso ter velocidade
para perceber os montes ondulados
quando parados
são volumes que nos lembram
quem vai
quem fica, quem não existe
à partida
vi-te afastar
sem acreditar.
teu cheiro
deixou-se atrasar.
da balada que entoavas
ficaram notas pousadas
nos parapeitos
pintados de verde
muito escuro
(ou escureceram
quando partiste)
tentei chorar
percebi
que a comoção seca,
escurece,
torna o complicado
simples
ter-te não era fácil
penso agora
bom seria acompanhar-te
mas no estado de simplicidade
em que fui deixado
agora a sério:
tens meia hora
para voltares!
desconheces que
a contagem decrescente começou
há muito
tinhas um quarto de hora
mas ignoravas.
já não tens tempo algum.
ao dizer-te isto
esgotei-me.
ficas com todo o tempo do mundo,
deste mundo
com montes ondulados.
carlos peres feio . abril de 1999
deixa-me mostrar como vejo as coisas
temos o que nos rodeia,
algo mais lá em cima
no negro iluminado pelas estrelas,
só elas contam
uns sabem de mar
de grandes espaços
de verde disperso em folhas
outros do pano de fundo sem fim
onde moram os pontos brilhantes
também devemos atender
quem não olha o céu nas noites de lunário
mas traz a lua dentro de si
sem saber
existe a pessoa que ilumina a noite
pela vontade de entrega
do amor intenso
de um coração infeliz
vejo as coisas assim,
e coloco-te na morada que mereces
entre os pontos brilhantes.
Carlos peres feio – carcavelos Junho 2006-06-12
Território da Mente
viagem pelo território da mente
meta onde a memória deixa
pousar ainda que brevemente
queixas com razão de queixa
a paisagem deste verde alemão
impregnado de Saxónia
motor da vontade
de viver um pouco mais
não impede o progresso
da dor que vem do fundo
misturada com sons musicais
das canções que agravam
quer o bem
quer o mal
essa dor profunda
que consome
o verde e o sol dos campos
desta terra,
deixa-nos para sempre
no azul de Cascais
a memória de quem
merecia viver mais.
carlos peres feio
Minde (Alemanha) Maio de 1998
é a que pode apanhar qualquer um
numa bela manhã,
preparando uma fatia de pão saloio
com doce de frutos vermelhos, escuros e doces,
que nos atiram para trás, para o odor da meninice,
da adolescência,
que meninice e adolescência são frutas da mesma árvore,
e doces.
é a que nos persegue todas as manhãs da vida, digo,
todo o caminho,
como um míssil, daqueles que apontados ao alvo em voo
não mais o largam,
pois farejam a fonte de calor,
que nas guerras sobre golfos são tubos incandescentes,
vomitando gases da combustão do jp4,
e que na nossa vida toda
também farejam a fonte de calor, que é sempre o coração
e raramente o cérebro.
1997 - carlos peres feio