julho 27, 2006

os teus versos

( nota de culpa)


ao lê-los senti que se despistavam
saiam da rota
sem travões
ou inibições
vieram à berma
levantaram poeira adormecida
e derraparam

contigo aos comandos
em alta rotação
sem sinais de travagem
entraram em terreno semeado
de sonho

eu estava sentado
na zona claro-escuro
sem caminho de fuga
fui por eles arrasado

deste incidente mais me marcou
o foco do teu olhar
aceso no escuro
apontado ao firmamento
nessa noite com estrelas


c peres feio

Publicado por psm em 12:22 AM

julho 26, 2006

não existes

(para ouvir com Chopin em fundo - qualquer peça)

tu não existes
mas Chopin também não
amo os dois de maneira diversa
mas esforçada

respiro o ar da noite
sinto Lisboa ao longe
mas a cidade não existe
tudo aquilo de que gosto
só existe no engarrafamento
dos sentimentos no meu cérebro

azinheira pinheiro e castanheiro
passam a ser locais onde me acolherei
faça sombra ou abrigo
para me sentir protegido
pelas arvores e por quem as inventou

de verão lembrarei sempre a oferta
para meu resguardo
de inverno pedirei que um raio me atinja
para morrer em êxtase

será a única maneira de num segundo
lembrar todos os beijos recebidos
numa fracção sentir como final
um beijo – raio de luar


carlos peres feio – carcavelos 2006

Publicado por psm em 08:52 AM

julho 22, 2006

cérebro

o cérebro humano
essa máquina mais antiga que o arado
ideia que vem do escuro para a luz
perdida por vezes no percurso
onde tudo se passa
esse responsável por poetas e carrascos
devia ser o único projecto da humanidade
cruzada para o tornar bom
mas ele próprio determinou
o objectivo último de ser medíocre
deixando ao computador
a tarefa possível
de um dia atingir
bondade e perfeição.


carcavelos - c peres feio - 22.07.2006

Publicado por psm em 11:57 AM | Comentários (3)

julho 21, 2006

Amor


(poema a escrever hoje, ou nunca)


não dei por ele,
talvez brisa no
pescoço
e na orelha,
o primeiro arrepio de prazer
talvez tenha sido isso

leve, começo a senti-lo
refresca-me

mas cresce,
torna-se forte
antevejo um tornado,
com todos os sentimentos
no centro
a elevar-se em
espiral,
para fora de mim e
do mundo dos ventos

amor-vento
já uma tempestade
abre-me os olhos,
amor-água
escorre-me pelo rosto
pelo corpo

as cordas das velas do meu passado
esticam rangem vibram,
as cruzes nelas bordadas
partem com o vento
e a minha alma fica
branca
pura
disponível
para receber as tuas marcas,
só as tuas!


carlos peres feio


Publicado por psm em 04:27 PM

julho 14, 2006

Informação


a má
influência que temos
sobre nós próprios
pode ser curada
pelo remédio do passado

agora
só devo escrever
o que me passa
pela cabeça
sem qualquer outra
consideração

se uma seta
me atingir em qualquer momento
quero estar bem


c peres feio anos 80


Publicado por psm em 10:45 PM | Comentários (2)