de sofrimento e angústia
dias de sem resposta
em que se partem bicos de lápis
desenhos ficam aparcados
na mente
as palavras, essas
conhecem o horror do escuro
receiam qualquer movimento
carregam-se de um luto eterno
acolhem-se no charco
do nosso íntimo
há dias
de recordação plena
do falar com o olhar
da boca ser transferida para as mãos
dias de sempre
do brilho nos olhos
das curvas do corpo
em fusão
como se fosse
foto de gravura sensual
mas ao vivo
carlos peres feio - 22 de Agosto de 2006 - Carcavelos
fast
quando chegou dois mil e quatro
o tempo disparou
até então
a calma mandava
mas depois
a velocidade da luz
somada à do som
sem paragem
na penumbra
tomou conta de mim
terá sido por causa
do meu aniversário?
carlos peres feio - jan - 2004
dobro a esquina com a energia da alta tensão
ainda ouço as notas da música que na madrugada anterior bebi no casino
estivesse numa rua de Chicago ou fosse português de lei
haveria sempre uma hora certa para ajustar contas com o próprio
quando a noite aquece temos o direito de nos termos enganado
não foi assim toda a vida?
todos os versos vão para a mulher amada no momento -
há segundos que são anos-luz!
senti a noite quente sonhar com tropicais fantasmas
afirmei: sim, sinto-me bem
tenho direito ao engano
não cobro nada por isso.
c peres feio 2006 Carcavelos
história aluada
viagem sem rumo por países inventados
sempre achei os diários de viagem
tábuas preciosas
condição de exploradores
afirmo até
sem diário de bordo
não há viagem
dias tantos desta era
registo porque parti
sinal de proibido ficar
missão de um dia volver
partimos incompletos
até descobrirmos partes de nós
que escaparam um dia
para longe
tarde registaremos
que fizemos aguada no ombro de alguém
que trocámos as nossa bugigangas
por especiarias sob a forma de abrigo
nas fortalezas que atacámos
descobrimos a nossa fraqueza
fizemos diplomacia secreta
para nos escondermos o resto da vida
levámos nossas naus vazias de sentimentos
trouxemos saber sem construir futuro
os que não voltaram
são pouco mais que
estragos em trânsito
versos e foto de carlos peres feio 2004
que incêndio vai na tua cabeça!
o crepitar desse fogo
sentem-no alguns.
quero ajudar-te na detecção do perigo
garantir meios para o anulares
não fiques em combustão eterna
com tua carga térmica de gigante.
há que compartimentar com selagens
montar uma barreira corta-fogo
para que entres em lume brando
protegendo as tuas fronteiras
e possas por fim
arder de amor.
2000 - carlos peres feio