(Em 1995, o escultor Cesar expôs na bienal de Veneza)
(Em Carcavelos, 1998, escrevi sobre o evento de 1995)
Cesar
ferro comprimido
pelas placas lisas da prensa
comandadas pelo cérebro do artista
mostra o retrato da sociedade actual
em que a força é o metal
expresso o acto final
o que a escultura encerra
na escolha
fica o metal
troca estranha da Terra
consumido esmaga o sentimento
durante o processo
mostra que saímos
da caverna
para mesmo sob
a marca da sucata
estarmos presentes
como nus
- expostos em Veneza
Carlos Peres Feio
POEMAS DE FOGO – 2005

foto de c peres feio - arquivo
se na gaveta, estes versos estariam em paz! porque já estiveram expostos na net, houve um reacendimento, provocado por uma leitora anónima, a quem agradeço o ter gostado!
que sirva a Poesia!
MEU FOGO
no deserto dos pensamentos
encontro na sombra
areias em movimento
sem fuga possível
procuro o azul luminoso
com rochas salgadas
mas tudo me foge
o mergulho é profundo
cumpro o destino
de me imolar pelo fogo
que em mim arde
TEU FOGO
que incêndio vai na tua cabeça!
o crepitar desse fogo
sentem-no alguns
quero ajudar-te na detecção desses perigos
garantir meios para os anulares
não fiques em combustão eterna
com a tua carga térmica de gigante
há que compartimentar com selagens
montar uma barreira corta-fogo
para que entres em lume brando
protegendo as tuas fronteiras
e possas por fim
arder de amor
carlos peres feio – carcavelos – 2005
fui ao Douro em busca do nada
olhar suas águas brilho de inox
ouvir margens enganadas pelo tempo
num choro que marca a manhã
com incêndios pôr de sol
esperanças em nova era
morreram na barca que habito
tornar a voltar ao Douro agora
num naufrágio de águas calmas
nevoeiro cerrado
humidade no ar
em mistura com lágrimas
carcavelos outubro 2006
carlos peres feio
é um mundo entre o caseiro e o mágico
onde os olhares não se perdem
é um clima de entendimento
muita palavra pelo meio
tanto fervor nas conversas
é uma carga de trabalhos
para além do razoável
sempre a alma de qualquer casa
é o lar das crias
a cozinha dos afectos
as mulheres entre si
são muralhas sem tempo
quando as brumas se levantam
só esperamos que lá estejam
origem do amor
doce recolhimento
carlos peres feio – 2006 – carcavelos