ao teres o sabor todo doce
pedes contraponto
quando um Outono desce
por ti
desce como mel
deslizas por estradas
da imaginação
que estão aí
e sem pedires
tens também o amargo
de que nada se repete
e então
estão
reunidas condições:
tens o Outono sonhado
o melhor da tua vida
o Outono
agridoce
carlos peres feio
onde estás
para te dizer
das estúpidas dores que sinto
das brilhantes ideias que tenho
e tudo o mais
tudo o que cabe num dia vazio
acaba no sonho
na poesia
uma delícia
uma ternura
junto à espuma do mar
revolto com a tua ausência
c peres feio
* dedicado a quem acreditar que neste mundo de desencontros, por vezes só é consolo saber que temos alguém querido, debaixo da nossa pele.
inverno de 2007
Puro engano – será o Futuro a falar de nós, com maior ou menor audiência consoante tenhamos dado mais ou menos nas vistas – sejamos mais ou menos ricos – o nosso real valor tenha ou não mérito!
Será o Futuro que nos ocultará na nuvem negra dos muitos seres que viveram, ou nos iluminará num palco dos eleitos por algum feito, eventualmente heróico ou terno!
Todas as versões dos modos como encarar o Futuro são válidas! Desde a de o ignorarmos até à de o planearmos, convencidos que assim vai acontecer!
Que exercícios menos prováveis!
Futuro, já o tive – escoou-se entre as mãos e até essas já foram passadas à lâmina – e ficaram em posição não se adaptarem a qualquer piano, forte ou não…
O Futuro, esse mágico inexistente que nos acena por detrás do oculto, essa miragem que nos aparece sob a veste de uma ninfa ou na espuma branca de uma onda, o Futuro é sobretudo o icebergue do nosso descontentamento titânico!
O Futuro é um quadro numa parede, só com a moldura. O Futuro é uma invenção de uma mente cansada de se interrogar. O Futuro poderá ser um quarto escuro, onde te verei entrar e não te poderei seguir. O Futuro não existe.
c peres feio – 2007 – 02
Falar de quem não conhecemos pessoalmente, é sempre um risco. No entanto neste caso, sendo a autora de um livro com o subtítulo “Formas simples de encontrar tempo para si mesmo” , o apelo do tema é muito forte!
O título é “A arte de não fazer nada” - Sinais de Fogo Publicações (Lisboa) - mas não se deixem enganar pela primeira impressão – normalmente quem faz ou fez muito, é exactamente quem pratica e desenvolve a Arte de nada fazer, de inventar tempo para o ócio.
Vale a pena percorrer os nomes de alguns dos títulos dos capítulos da obra, para que se comece a imaginar que são inúmeras as situações em que se deve seguir o conselho que nos é dado nas páginas finais, e cito - “arranje tempo para esperar - assim fazendo, está a fabricar o tecido das suas recordações – perca tempo com o presente – dê ao seu futuro um passado para recordar”.
Que mulher será Veronique, para escrever gostosas sugestões, classificadas como –
A arte de respirar – a arte de dormir a sesta – a arte de tomar banho – a arte e saborear – a arte de escutar – a arte de esperar…etc. – são nomes de alguns capítulos do livro!
Esta autora mostra ao longo de uma centena de páginas, de uma forma divertida e serena, que devemos valorizar aquilo que de mais valioso temos – o Tempo – e entre muitos e úteis conselhos, como atingir um estado de iluminação interior, nunca desprezando a nossa capacidade de meditação!
Numa livraria perto de si, um livro a ler, uma autora a conhecer! Termino este apontamento para mergulhar no ócio!
c peres feio - 2007 – 02
De muitos pensamentos será feita esta reflexão. Sobre a paz tão necessária para a nossa estabilidade, sobre a paz que precisamos de sentir no nosso eu.
Gravitem à nossa volta os cristais alterados do descontentamento, cheguem até nós imagens de ansiedade, que não impedirão que se atinja a preciosa paz.
Porquê?
Porque ela é feita exclusivamente do que nos vai na alma e do estado que possamos atingir – porque a ela temos direito – porque se atinge um ponto de não retorno onde concedemos a nós próprios o que achamos que merecemos e qualquer outra opinião não interessa.
O estado de bem estar que se alcança, não é atingido sem esforço. Mas chega-se lá!
Como?
Acreditando que os sonhos se concretizam. Fazendo um enorme esforço para a compreensão das atitudes dos que nos rodeiam. Distinguindo entre o que nos é fundamental e o que é acessório.
É mais de meio caminho andado para a desejada paz. Então o que falta?
Simples. Acreditar em nós próprios. Não dar muito valor ao que os outros gostavam que nos acontecesse e concentrarmo-nos sobre os nossos objectivos na vida.
Não abdicar do que mais elevado se pode alcançar. Fazer da nossa vida um hino ao Amor à Compreensão e luta pela Felicidade.
Esta é uma fórmula para a obtenção da Paz Interior.
Estando em paz, acreditamos então que até pode haver outras fórmulas. Já não nos interessa. Estamos em Paz.
c peres feio - 2007 – 02
A palavra sugere abismo, copo onde matámos a sede ou algo indefinido entre o antes e o depois. Vamos construindo uma vida onde um acontecimento dá lugar a outro, onde o acto de acontecer é já ante câmara do que vem a seguir, e com pouca ou nenhuma precisão temos a falsa ideia de imaginarmos o que vem depois.
Mas há outra possibilidade. A de termos uma pausa na nossa vida, de termos interrompido uma corrente, caudal saído de misteriosa nascente, águas crescendo no deslizar para um mar desejado, e de repente o escuro.
Sentimos então que só ficou o murmúrio de água que ainda corre, gelamos por adivinhar que corre fria, e não há maneira de sabermos o que nos aconteceu.
Somos presa do vazio, e só recordamos experiências da nossa antiga aprendizagem, onde o vácuo era criado no interior de uma campânula que nos parecia conter a atmosfera amigável, mas não…era um espaço asfixiante com a aparência convidativa do ar que respiramos.
Nos sonhos, tanto nos despenhamos em quedas indolores como pairamos sobre uma imaginária realidade que vista do ar pouco tem a ver connosco.
Nesta sensação de vazio, nada disso se passa. Tudo deixou de acontecer. Ficamos então atordoados, com a maior das dúvidas: e depois? Virá o tranquilo sono ou o acordar para um doloroso Vazio?
c peres feio - 2007 – 02
Inicio hoje um projecto que me levará pelas muitas reflexões que faço, acreditando que muitas outras pessoas o farão também, mesmo não escrevendo, mesmo não dizendo, mas pensando.
Um
Tens 10 minutos para falar sobre o amor
Poderíamos pensar que é um tema esgotado, mas não o é! Parece ser uma força que nos obriga a ir para a frente, a ser melhor, a ter coragem, a levar-nos a rever toda a vida em segundos, e que nos leva também ao arrependimento de não termos no momento certo estimado quem amamos, como merecia.
De onde surge esse sentimento, no passado como um fantasma, no presente como a salvação ou no futuro como a única saída?
Ninguém se sinta a salvo, abrigado, ou oculto de um sentimento deste tipo, que como nos versos “fareja quase sempre o coração, e raramente o cérebro”!
É como caminhar em frente, deixando o corpo para trás, esse corpo que já nos pesava mas que, porque o amor existe, deixa de ter peso ou rugas, e nos atira para uma zona onde só o sentimento conta e tudo o que acontecer está justificado.
É como uma chuva que cai sobre nós, na pureza dos seus elementos não contaminados, a que vem como refresco para os calores da emoção, é como uma promessa finalmente cumprida, depois da tortura da travessia de desertos, com oásis de pouco retempero.
Podia continuar a falar de amor, mas nem tenho mais tempo nem é preciso dizer a ninguém o que só cada um sabe de si, na realidade.
Evoquei o amor, mas tão só para que cada um de vós deixe de me ler e pense, diga ou escreva, o que sobre o tema sabe – para os cépticos ou desencantados, uma palavra em especial – o amor é um salva vidas!
c peres feio - 2007 – 02
Os violentos perseguirão os fracos – os mais fracos terão que evocar
Deus, os Deuses ou o Destino, para que a os violentos acordem um dia
com a noção de que caminham sem destino…
O tempo corre sempre com mais doçura, para os que por esta terra passam
tratando os próximos e os distantes com Respeito…
(a propósito de histórias de todos os dias…)
Carlos Peres Feio
faz tudo no teu ritmo, rapaz
não te deixes levar
também a tua poesia
tem pouca força política
mas tenta, tenta sempre
não te deixares arrastar
pela política dos nossos dias
que tem pouca força poética
mantém o teu ritmo, rapaz
tem esperança
ainda há quem se emocione
com a voz de Greco
com os versos de Brel
Carcavelos – 7 fev 2007 c peres feio